Os efeitos do El Niño já são uma realidade para os pernambucanos de todo o estado. Registrando altas temperaturas nas quatro regiões (Litoral, Zona da Mata, Agreste e Sertão), o fenômeno caracteriza-se pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, o que muda completamente o regime de chuvas em diversas áreas afetadas.
A Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC), que coordena e estuda a variação climática do estado, reforça que os efeitos podem ser sentidos em vários âmbitos: nos municípios do interior, a agricultura e a pecuária terão mais estresse hídrico e térmico nas culturas e nos rebanhos; no abastecimento e nas cidades, aumentam a demanda por água, o desconforto térmico e as ilhas de calor.
Anomalias na temperatura da superfície do mar no Pacífico superam 0,5°C e persistem por mais de três meses. O fenômeno contribui para o aumento das chuvas no ocenao, criando um movimento ascendente do ar na região amazônica. Por consequência, acontece o movimento descendente do ar no Nordeste, causando a estiagem e a inibição das nuvens no território. Por essa razão, a ausência das nuvens condiciona a maior intensidade dos raios solares, aumentando a temperatura e a evaporação.
Aparecida Fernandes, meteorologista da APAC, comenta que Pernambuco já está passando por um aumento de 3º na temperatura média e que o Sertão e parte do Agreste sofrerão com secas nos reservatórios, estiagem e baixa umidade. "Nessa época do ano, a temperatura média costuma ficar em torno de 29°C. Neste ano, porém, os termômetros têm chegado a 32°C, indicando valores acima do normal. Os meses de dezembro, janeiro e fevereiro estão entre os mais quentes do ano e a expectativa é de que as temperaturas continuem elevadas, com possibilidade de recordes", reforça.
"Além dos impactos sobre a população, o calor também pode agravar a situação dos reservatórios de água. Com as temperaturas mais elevadas, a evaporação aumenta, provocando uma perda mais rápida de água armazenada e ampliando a preocupação com a disponibilidade hídrica", destaca.
Com a chegada do verão, entre outubro e dezembro, a temperatura média no Sertão pode chegar a 38°C, com possibilidade de valores ainda mais elevados. A região também começa a entrar na pré-estação chuvosa, período em que podem ocorrer algumas trovoadas, principalmente em Petrolina. Esses episódios podem vir acompanhados de rajadas de vento, embora tenham sido registrados poucos eventos desse tipo.
Mesmo com o maior impacto sendo no interior do estado, o aumento das temperaturas não se restringe ao Agreste e Sertão. No litoral, onde o clima costuma ser mais ameno, também há previsão de calor mais intenso. Na Região Metropolitana do Recife (RMR), a sensação de mormaço tem sido um dos efeitos percebidos.
